{"id":27695,"date":"2025-04-09T10:28:56","date_gmt":"2025-04-09T13:28:56","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiasnoface.com.br\/?p=27695"},"modified":"2025-04-09T10:28:56","modified_gmt":"2025-04-09T13:28:56","slug":"sensacao-termica-de-mais-de-60-graus-por-que-faz-mais-calor-nas-favelas-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiasnoface.com.br\/index.php\/2025\/04\/09\/sensacao-termica-de-mais-de-60-graus-por-que-faz-mais-calor-nas-favelas-do-rio\/","title":{"rendered":"Sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica de mais de 60 graus: por que faz mais calor nas favelas do Rio"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading subhead\">As periferias brasileiras podem registrar temperaturas at\u00e9 8\u00b0C mais altas do que nos bairros vizinhos. Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas agravam as desigualdades e afetam intensamente a popula\u00e7\u00e3o negra<\/h2>\n\n\n\n<p>15:13<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-opt-id=1334309397  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagenes.elpais.com\/resizer\/v2\/BODXKY2XNNFFPL354AOKWYP7LA.jpg?auth=f18e12d8b3979ae27cc6bbea4470ea8711339197b18dda39cb8e75b4fa9c073e&amp;width=414\" alt=\"Soraia Claudino on her roof in Rio de Janeiro, Brazil, on March 29, 2025.\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Soraia Claudino em seu terra\u00e7o no Rio de Janeiro, Brasil, 0 29 de mar\u00e7o de 2025.Leonardo Carrato<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>EL PA\u00cdS ofrece en abierto la secci\u00f3n Am\u00e9rica Futura por su aporte informativo diario y global sobre desarrollo sostenible. Si quieres apoyar nuestro periodismo, suscr\u00edbete&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/elpais.com\/suscripciones\/digital\/11-euros-105-euros\/?prm=mrf-redirect#\/campaign?prm=mrf-redirect\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>aqu\u00ed<\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Soraia Claudino, uma mulher negra de 58 anos que vende comida caseira, mora no Parque Rubens Vaz desde os dois anos de idade, quando sua casa ainda era uma palafita. Hoje, sua favela, localizada na zona norte do Rio de Janeiro, mudou: as casas de alvenaria t\u00eam azulejos nas fachadas. Embora simples, muitas t\u00eam dois ou tr\u00eas andares, o que bloqueia a ventila\u00e7\u00e3o e torna o calor mais intenso, principalmente no m\u00eas de mar\u00e7o, em que houve&nbsp;<a href=\"https:\/\/elpais.com\/america\/2025-02-19\/rio-de-janeiro-bate-el-record-de-calor-en-una-decada-44-grados-y-sin-tregua-a-la-vista.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">recordes de calor<\/a>&nbsp;na capital carioca.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o, a cidade do Rio de Janeiro registrou 44\u00b0C, a temperatura mais alta em uma d\u00e9cada, segundo o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.sistema-alerta-rio.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sistema de alerta Rio<\/a>. No Complexo da Mar\u00e9, conjunto de 15 favelas da zona norte da cidade onde Claudino mora, as altas temperaturas foram ainda mais intensas, com sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica de 60\u00b0C, registrada pelo term\u00f4metro da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.redesdamare.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Redes da Mar\u00e9<\/a>, organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria local que trabalha pela inclus\u00e3o social e melhoria da qualidade de vida da Mar\u00e9. \u201cEsse calor excessivo n\u00e3o \u00e9 apenas o ver\u00e3o carioca, mas um reflexo da crise clim\u00e1tica\u201d, afirma Everton Pereira, morador do Complexo e coordenador do eixo de direitos urbanos e socioambientais da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Claudino, uma mulher extrovertida e resiliente que anda pelas ruas de sua comunidade vendendo sandu\u00edches e bolos caseiros no ver\u00e3o e sopa e caldo de milho no inverno, as altas temperaturas significam uma mudan\u00e7a na rotina. \u201cEm dias de muito calor, saio depois das 16h para vender, quando o ar est\u00e1 um pouco mais fresco\u201d, diz. Naqueles dias de calor extremo, Claudino percebeu os efeitos que aquela sensa\u00e7\u00e3o de 60 graus Celsius causou na sa\u00fade de seu bairro. \u201cHavia vizinhos com muitas alergias, pessoas com press\u00e3o alterada, sem esquecer que muitas vezes temos a sensa\u00e7\u00e3o de que o ar n\u00e3o circula na comunidade\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto n\u00e3o \u00e9 apenas uma percep\u00e7\u00e3o. Segundo a Secretaria Municipal de Sa\u00fade, mais de 3 mil pessoas precisaram de atendimento m\u00e9dico por desidrata\u00e7\u00e3o, insola\u00e7\u00e3o e outros problemas de sa\u00fade devido ao alerta de calor.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.who.int\/es\/news-room\/fact-sheets\/detail\/climate-change-heat-and-health?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)<\/a>&nbsp;reconhece que as altas temperaturas podem agravar doen\u00e7as cardiovasculares, respirat\u00f3rias e de sa\u00fade mental, podendo at\u00e9 ser fatais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image clear\"><img data-opt-id=542115045  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagenes.elpais.com\/resizer\/v2\/2E4AMISCYFCNNDVY52R5CXDCZQ.jpg?auth=c60562aebf97b5198b0f3aff0c3e4e2a06eade202b77e51715f09f7c5bbd4277&amp;width=414\" alt=\"Foto de archivo de la zona de Nova Holanda, en el Complexo da Mar\u00e9, en la zona norte de R\u00edo de Janeiro.\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto de arquivo da \u00e1rea da Nova Holanda, no Complexo da Mar\u00e9, na zona norte do Rio de Janeiro.Douglas Lopes (Cortes\u00eda Redes da Mar\u00e9)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Que fa\u00e7a mais calor nas favelas como onde Soraia mora n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia. A comunidade est\u00e1 localizada entre as tr\u00eas principais rodovias da capital, cercada por asfalto e concreto, e exposta a maior polui\u00e7\u00e3o e temperaturas mais elevadas do que \u00e1reas vizinhas, em um fen\u00f4meno clim\u00e1tico conhecido como&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/site\/assets\/uploads\/sites\/2\/2019\/09\/SR15_Summary_Volume_spanish.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cilhas de calor\u201d\u201d<\/a>Em fevereiro deste ano, o bairro Gale\u00e3o do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, pr\u00f3ximo ao Complexo da Mar\u00e9, marcou 4 graus a menos que a comunidade, segundo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.redesdamare.org.br\/media\/downloads\/arquivos\/RespiraMareRelatorio.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">investiga\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;que coletou dados sobre qualidade do ar e temperatura na favela. Nessa comunidade, 62,1% da popula\u00e7\u00e3o se autodefine como negra, segundo o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.redesdamare.org.br\/media\/downloads\/arquivos\/RDM_CASAPRETA_CARDENO_3.pdf?utm_\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Censo Mar\u00e9<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Casos como este refletem uma realidade: a popula\u00e7\u00e3o negra que vive em favelas e \u00e1reas marginalizadas do Brasil, que tradicionalmente mais sofre com a desigualdade hist\u00f3rica, pobreza e aus\u00eancia de servi\u00e7os p\u00fablicos como saneamento b\u00e1sico, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m a que mais sofre os efeitos das mudan\u00e7as ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que faz mais calor na favela?<\/p>\n\n\n\n<p>Mais de 140 mil pessoas vivem no Complexo da Mar\u00e9 em uma \u00e1rea de menos de 4 quil\u00f4metros quadrados. Al\u00e9m da alta densidade populacional, a estrutura habitacional nas favelas tamb\u00e9m contribui para a reten\u00e7\u00e3o de calor, segundo&nbsp;<a href=\"https:\/\/portal.fiocruz.br\/sites\/portal.fiocruz.br\/files\/documentos_2\/radar-covid-19-favela-edicao-16-versao-final.pdf?\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estudo<\/a>&nbsp;de 2022 da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz). As casas tendem a ser constru\u00e7\u00f5es com pouca ventila\u00e7\u00e3o e com materiais como telhas de zinco e paredes finas de alvenaria sem isolamento t\u00e9rmico. \u201cA falta de planejamento urbano e as desigualdades socioecon\u00f4micas tornam as favelas mais suscet\u00edveis \u00e0s consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, reconhece Everton Pereira.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, cerca de 8,1% da popula\u00e7\u00e3o vive em favelas. Existem mais de 16 milh\u00f5es de pessoas,&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/41797-censo-2022-brasil-tinha-16-4-milhoes-de-pessoas-morando-em-favelas-e-comunidades-urbanas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">de acordo com o censo nacional<\/a>. A maioria dos moradores se identifica como negro&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/41797-censo-2022-brasil-tinha-16-4-milhoes-de-pessoas-morando-em-favelas-e-comunidades-urbanas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">(negros e pardos)<\/a>. As temperaturas nesses bairros s\u00e3o at\u00e9 8 graus Celsius mais altas que as dos bairros vizinhos, segundo uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.mackenzie.br\/memorias\/150-anos\/acontece\/arquivo\/n\/a\/i\/pesquisa-do-mackenzie-revela-diferencas-de-temperaturas-entre-bairros-de-sao-paulo?utm_\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">investiga\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;da Universidade Presbiteriana Mackenzie feita em Parais\u00f3polis, a maior favela de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image clear\"><img data-opt-id=1133035892  data-opt-src=\"https:\/\/imagenes.elpais.com\/resizer\/v2\/AQUDZQC3INAPRPRVKTFHQNMBDU.jpg\"  decoding=\"async\" src=\"data:image/svg+xml,%3Csvg%20viewBox%3D%220%200%20414%20100%%22%20width%3D%22414%22%20height%3D%22100%%22%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%3E%3Crect%20width%3D%22414%22%20height%3D%22100%%22%20fill%3D%22transparent%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E?auth=f5ebf435f8ce4b8423439eefbc48d337249ed41159ca6b32c542c3c843cfa1c1&amp;width=414\" alt=\"Soraia, su hermana Saionara y una representante del proyecto llamada Vit\u00f3ria manipulan y sienten una de las pl\u00e1ntulas ya desarrolladas en el techo verde del complejo de la Mar\u00e9.\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Soraia Claudino e sua irm\u00e3 Saionara cuidam das plantas no telhado verde.Leonardo Carrato<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Bairros ricos t\u00eam mais \u00e1reas verdes e melhor planejamento urbano. Al\u00e9m disso, seus moradores tendem a ter mais recursos para adquirir ar condicionado e podem pagar custos mais elevados de energia el\u00e9trica, refletindo a desigualdade t\u00e9rmica, um dos aspectos do que \u00e9 conhecido como&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/secom\/pt-br\/fatos\/brasil-contra-fake\/noticias\/2024\/o-que-e-racismo-ambiental-e-de-que-forma-impacta-populacoes-mais-vulneraveis?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">racismo ambiental<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A ge\u00f3grafa Gabriela Conc, cofundadora do&nbsp;<a href=\"https:\/\/vozdascomunidades.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ONG Voz das Comunidades<\/a>&nbsp;e l\u00edder em iniciativas de sustentabilidade e justi\u00e7a social, explica que o racismo clim\u00e1tico ocorre quando comunidades j\u00e1 desfavorecidas, privadas de direitos b\u00e1sicos como saneamento, infraestrutura e acesso equitativo, s\u00e3o ainda mais afetadas pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e desastres ambientais. \u201cO racismo ambiental n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o ecol\u00f3gica, mas tamb\u00e9m uma quest\u00e3o social e racial\u201d, enfatiza.<\/p>\n\n\n\n<p>As favelas tamb\u00e9m tendem a ser mais vulner\u00e1veis a desastres ambientais, como de<a href=\"https:\/\/www.redesdamare.org.br\/media\/downloads\/arquivos\/Analise_de_Risco_WayCarbon.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">slizamentos de terra e inunda\u00e7\u00f5es,&nbsp;<\/a>o que pode fazer com que as fam\u00edlias que ali moram percam tudo da noite para o dia, al\u00e9m de problemas estruturais, como cortes de \u00e1gua. \u201cEssa vulnerabilidade n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia, mas reflexo de uma estrutura que prioriza investimentos em bairros privilegiados, deixando a periferia desprotegida\u201d, afirma a ativista clim\u00e1tica Amanda Costa, que mora em Brasil\u00e2ndia, zona norte de S\u00e3o Paulo, e j\u00e1 participou de cinco Confer\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP).<\/p>\n\n\n\n<p>Costa fundou a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/perifasustentavel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Perifa Sustent\u00e1vel<\/a>, que oferece forma\u00e7\u00e3o a jovens para debater e exigir solu\u00e7\u00f5es para a crise clim\u00e1tica. Um dos projetos da organiza\u00e7\u00e3o, Climate Voices, pressionou os candidatos nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 2024 no Brasil a assumirem compromissos reais com as comunidades nas favelas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA crise clim\u00e1tica tem cor, classe, g\u00eanero e territ\u00f3rio\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cJusti\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 reconhecer que a crise clim\u00e1tica tem cor, classe, g\u00eanero e territ\u00f3rio\u201d, diz Naira Santa Rita, coordenadora de Justi\u00e7a Clim\u00e1tica e Amaz\u00f4nia da Oxfam Brasil e fundadora do&nbsp;<a href=\"https:\/\/institutoduclima.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto DuClima<\/a>. H\u00e1 tr\u00eas anos, ela teve que deixar sua cidade, Petr\u00f3polis, no estado do Rio de Janeiro, devido a enchentes devastadoras que deixaram mais de 150 mortos e mais de 4.000 desabrigados em 2022. Durante o desastre, Santa Rita vivia em uma \u00e1rea que mais tarde foi determinada como tendo vulnerabilidades estruturais que historicamente n\u00e3o tinham sido abordadas pelas autoridades. \u201cA trag\u00e9dia revelou o que a crise clim\u00e1tica significa na vida real: perdas humanas, rupturas territoriais, luto coletivo e falta de respostas do Estado\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image clear\"><img data-opt-id=1079652400  data-opt-src=\"https:\/\/imagenes.elpais.com\/resizer\/v2\/WTI3EST6BRDMXDCZXZDJKW3CDY.jpg\"  decoding=\"async\" src=\"data:image/svg+xml,%3Csvg%20viewBox%3D%220%200%20414%20100%%22%20width%3D%22414%22%20height%3D%22100%%22%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%3E%3Crect%20width%3D%22414%22%20height%3D%22100%%22%20fill%3D%22transparent%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E?auth=953f1f9730e776ab0db663899ed39184f51afb3c5c8c183e3691f8e968a9d367&amp;width=414\" alt=\"Soraia, Saionara and Vit\u00f3ria on the green roof of the Mar\u00e9 complex.\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Soraia, Saionara e Vit\u00f3ria no telhado verde do complexo da Mar\u00e9.Leonardo Carrato<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para ela, as pol\u00edticas p\u00fablicas de urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil n\u00e3o consideram as favelas porque o Estado ainda as v\u00ea como um \u201cproblema\u201d e n\u00e3o como parte da cidade. \u201cQuando o Estado n\u00e3o urbaniza, nega a cidadania\u201d, destaca. E essa nega\u00e7\u00e3o, acrescenta, \u00e9 profundamente racializada, uma vez que as favelas s\u00e3o \u201cterrit\u00f3rios de resist\u00eancia negra e perif\u00e9rica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa resist\u00eancia tamb\u00e9m est\u00e1 na frente clim\u00e1tica. Soraia Claudiano sabe bem disso. No telhado de sua casa, no Complexo da Mar\u00e9, ela tem um prot\u00f3tipo de&nbsp;<a href=\"https:\/\/mailchi.mp\/redesdamare\/ecoclima-constri-telhado-verde-na-mare2025\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">telhado verde<\/a>, uma cobertura vegetal que ajuda a reduzir o calor e a polui\u00e7\u00e3o e filtra o ar que foi instalada pela organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria Redes da Mar\u00e9 com o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.redesdamare.org.br\/media\/downloads\/arquivos\/Cartilha_IlhasdeCalor_Ecoclima.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Projeto EcoClima<\/a>&nbsp;em conjunto com a Petrobras. Segundo a ONG, esse sistema faz com que a temperatura dentro da casa seja 10 graus mais baixa do que quando ela tinha telhado de zinco. \u201cTraz frescor\u201d, reconhece Soraia. \u201cSe tiv\u00e9ssemos mais \u00e1rvores na comunidade, ajudaria ainda mais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A cobertura verde traz al\u00edvio do calor, mas a sua instala\u00e7\u00e3o, que custa cerca de 15 mil reais para uma cobertura de 25 metros quadrados, \u00e9 inacess\u00edvel para a maioria dos&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/radioagencia-nacional\/economia\/audio\/2023-12\/pesquisa-traca-o-perfil-dos-moradores-de-favelas-do-rio-de-janeiro?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">moradores de favelas, que t\u00eam baixa renda<\/a>. Para uma pessoa que ganha um sal\u00e1rio m\u00ednimo, isso equivaleria a mais de 10 meses de sal\u00e1rio. Portanto, embora o projeto Redes da Mar\u00e9 demonstre que solu\u00e7\u00f5es locais podem oferecer solu\u00e7\u00f5es imediatas, a verdadeira transforma\u00e7\u00e3o depende de um compromisso mais amplo por parte das autoridades p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Naira Santa Rita defende a implementa\u00e7\u00e3o de medidas de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica para reduzir o calor nas favelas, como aumentar a cobertura vegetal, utilizar materiais de constru\u00e7\u00e3o que ajudem a reduzir as temperaturas, oferecer acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e saneamento b\u00e1sico e criar espa\u00e7os de respira\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica, como pra\u00e7as, jardins e pomares urbanos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica \u00e9 um direito coletivo e n\u00e3o um privil\u00e9gio individual\u201d, defende. Para ela, o Estado tem a responsabilidade de garantir a justi\u00e7a clim\u00e1tica e assumir os custos de repara\u00e7\u00e3o, mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o. \u201cDeve garantir direitos, equidade e dignidade num mundo em emerg\u00eancia, porque a crise clim\u00e1tica \u00e9, acima de tudo, uma crise de direitos humanos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As periferias brasileiras podem registrar temperaturas at\u00e9 8\u00b0C mais altas do que nos bairros vizinhos. 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