{"id":28422,"date":"2025-06-01T21:08:06","date_gmt":"2025-06-02T00:08:06","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiasnoface.com.br\/?p=28422"},"modified":"2025-06-01T21:08:06","modified_gmt":"2025-06-02T00:08:06","slug":"o-dilema-de-prolongar-a-vida-dos-pets-foi-por-amor-que-decidimos-deixar-nossa-cachorrinha-partir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiasnoface.com.br\/index.php\/2025\/06\/01\/o-dilema-de-prolongar-a-vida-dos-pets-foi-por-amor-que-decidimos-deixar-nossa-cachorrinha-partir\/","title":{"rendered":"O dilema de prolongar a vida dos pets: &#8216;Foi por amor que decidimos deixar nossa cachorrinha partir&#8217;"},"content":{"rendered":"\n<p>31 maio 2025<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-opt-id=586496326  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/3c8e\/live\/fd3b0210-3c6d-11f0-bd09-85867b04fa4e.jpg.webp\" alt=\"Mulher ao lado de cachorro\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Quimioterapia, hemodi\u00e1lise, cirurgias card\u00edacas, fisioterapia, acupuntura, dietas formuladas sob medida \u2014 o universo dos cuidados veterin\u00e1rios n\u00e3o para de crescer. E os pets vivem mais do que nunca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa de vida dos c\u00e3es quase duplicou nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas, e os gatos dom\u00e9sticos vivem hoje o dobro do que felinos selvagens, segundo levantamento de 2023 promovida pela Allianz Global Investors.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os motivos para esse avan\u00e7o, est\u00e3o a melhora na qualidade da alimenta\u00e7\u00e3o, cuidados semelhantes aos humanos, crescimento dos diagn\u00f3sticos preventivos e maior conscientiza\u00e7\u00e3o sobre visitas regulares ao veterin\u00e1rio, de acordo com a pesquisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 raro hoje encontrar&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/cvjp2jwg58zt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cachorros ou gatos<\/a>ultrapassando os 15 ou at\u00e9 20 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a longevidade estendida tamb\u00e9m levanta uma quest\u00e3o delicada: estamos realmente garantindo qualidade de vida para esses animais ou prolongando o inevit\u00e1vel \u00e0s custas do bem-estar?<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas e tutores se dividem entre o amor incondicional e os limites \u00e9ticos do cuidado veterin\u00e1rio moderno.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8216;Iria at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias para salv\u00e1-la&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>O professor Manoel Pereira de Ara\u00fajo, de 47 anos, enfrentou o dilema de at\u00e9 onde vale a pena insistir em tratamentos complexos \u2014 e caros \u2014 para prolongar a vida de um animal de estima\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas uma, mas duas vezes nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 cerca de 14 anos, ele e a agora ex-mulher ganharam de presente um filhote de pug e, logo depois, decidiram adotar outro c\u00e3ozinho da mesma ninhada. Foi assim que acabaram com a dupla de irm\u00e3os, que decidiram chamar de Haron e Amy.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, Amy foi diagnosticada com leucemia e ficou 13 dias internada em um hospital veterin\u00e1rio em S\u00e3o Paulo. Durante esse per\u00edodo, Manoel e a esposa passaram muitas noites dirigindo pela cidade em busca de bolsas de plaquetas para transfus\u00e3o em hospitais veterin\u00e1rios, j\u00e1 que a cl\u00ednica em que a cadela estava nem sempre tinha estoques suficientes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Naquele momento decidi que iria at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias para tentar salv\u00e1-la&#8221;, contou o paraibano natural de Princesa Isabel, no interior do Estado, \u00e0 BBC Brasil. &#8220;Quando a Amy piorou, a veterin\u00e1ria sugeriu que fiz\u00e9ssemos a eutan\u00e1sia, mas n\u00e3o aceitamos e continuamos insistimos nos tratamentos dispon\u00edveis.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com todos os cuidados veterin\u00e1rios, Amy n\u00e3o sobreviveu. Al\u00e9m de todo o sofrimento com a perda, Manoel tamb\u00e9m teve que lidar com uma conta de R$ 30 mil deixada no hospital em que a cadela ficou internada. &#8220;Tivemos que vender um carro para conseguir pagar&#8221;, conta ele.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-opt-id=1432772856  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/48a0\/live\/283e9150-3c98-11f0-9186-699299f06678.jpg.webp\" alt=\"Manoel ao lado de seu cachorro pug\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Manoel e seu cachorro Haron<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em novembro passado, foi a vez de Haron adoecer. O pug convivia com s\u00e9rias alergias h\u00e1 anos e, com 14 anos, precisava de visitas constantes ao veterin\u00e1rio e medicamentos manipulados: &#8220;S\u00f3 com os rem\u00e9dios gast\u00e1vamos mais ou menos R$ 800 por m\u00eas. Isso sem contar alimenta\u00e7\u00e3o e o pre\u00e7os dos exames e consultas&#8221;, diz Manoel.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos poucos, os sinais vitais do animal come\u00e7aram a ficar mais fracos, ele parou de se alimentar e os tutores passaram a notar manchas de sangue em suas fezes e v\u00f4mito. Os exames apontavam para uma cirrose medicamentosa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A veterin\u00e1ria me explicou que ele j\u00e1 n\u00e3o tinha como se recuperar e que o sofrimento dele poderia durar horas, dias ou at\u00e9 uma semana, ent\u00e3o a eutan\u00e1sia era a melhor op\u00e7\u00e3o&#8221;, conta. &#8220;Depois de muita resist\u00eancia, acabei aceitando.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas n\u00e3o foi nada f\u00e1cil e at\u00e9 hoje penso que teria dificuldade em tomar essa decis\u00e3o novamente, caso tenha outro pet.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8216;Estou preparada para perder meu pai, mas n\u00e3o meu c\u00e3o&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>A oncologista veterin\u00e1ria Juliana Cirillo afirma que casos como o de Manoel, Amy e Haron tem se tornado cada vez mais comuns.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A rela\u00e7\u00e3o do homem com os pets mudou muito, hoje eu diria que hoje 30% dos meus clientes se referem a eles mesmos como pais e m\u00e3es do seu pet&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;J\u00e1 ouvi frases como: &#8216;Meu cachorro me traz mais felicidade que meu filho&#8217; e &#8216;Estou preparada para perder meu pai, mas n\u00e3o estou preparada para perder meu c\u00e3o.'&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 o 3\u00b0 pa\u00eds do mundo com mais animais de estima\u00e7\u00e3o, com 149 milh\u00f5es, atr\u00e1s apenas de China e Estados Unidos. De todos os brasileiros, 94% j\u00e1 tiveram algum pet, segundo um estudo da Quaest divulgado em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m questionou os tutores sobre a import\u00e2ncia de seus bichos em suas vidas e 93% disseram que seus pets s\u00e3o membros da fam\u00edlia. Pouco mais da metade (58%) afirmaram comemorar os anivers\u00e1rios dos seus companheiros de quatro patas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os entrevistados, 94% dos tutores ainda afirmam que a sua sa\u00fade mental melhorou por ter um animal de estima\u00e7\u00e3o, e 90% avaliaram o mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua sa\u00fade como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m mostrou que a forma como os pets s\u00e3o tratados atualmente por seus donos impacta diretamente nos gastos com alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e outros cuidados. Entre os entrevistados, 55% gastam at\u00e9 R$ 300 por m\u00eas. Entretanto, 10% dos tutores desembolsam mais de R$ 1.000 mensalmente com seus pets.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-opt-id=484988157  data-opt-src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/d370\/live\/a3ade600-3ba9-11f0-91a0-abc9c23352d4.jpg.webp\"  decoding=\"async\" src=\"data:image/svg+xml,%3Csvg%20viewBox%3D%220%200%20100%%20100%%22%20width%3D%22100%%22%20height%3D%22100%%22%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%3E%3Crect%20width%3D%22100%%22%20height%3D%22100%%22%20fill%3D%22transparent%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E\" alt=\"Imagem ilustrativa de veterin\u00e1rio examinando um gato\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Brasil \u00e9 o 3\u00b0 pa\u00eds do mundo com mais animais de estima\u00e7\u00e3o, com 149 milh\u00f5es, atr\u00e1s apenas de China e Estados Unidos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Juliana Cirillo atende pacientes em dois hospitais de alto padr\u00e3o na capital paulista.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, casos em que os tutores demonstram dificuldade para entender a necessidade da eutan\u00e1sia ou se mostram apegados demais para tomar essa decis\u00e3o t\u00eam se tornado mais comuns.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 uma resist\u00eancia muito grande entre alguns tutores em aceitar a morte do animal&#8221;, diz. &#8220;J\u00e1 indiquei que alguns procurassem ajuda psicol\u00f3gica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 raro, diz a veterin\u00e1ria, que clientes cujos animais receberam um diagn\u00f3stico negativo ou recomenda\u00e7\u00e3o de eutan\u00e1sia procurem uma &#8220;segunda, terceira ou quarta&#8221; opini\u00e3o de outros profissionais porque n\u00e3o est\u00e3o preparados para perder seu pet.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Conhe\u00e7o muitos colegas da \u00e1rea e nos falamos. Ent\u00e3o ficamos sabendo quando um cliente nosso insiste em procurar outras sa\u00eddas&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela defende, por\u00e9m, a import\u00e2ncia de saber a hora de parar, tanto quando n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de melhora ou como quando o sofrimento atinge n\u00edveis altos demais para os padr\u00f5es \u00e9ticos veterin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 sobre quanto tempo o pet vai viver, mas com que qualidade&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, diz a veterin\u00e1ria, \u00e9 sua obriga\u00e7\u00e3o como profissional estabelecer um di\u00e1logo saud\u00e1vel, honesto e caloroso com os tutores, de forma que eles possam se sentir acolhidos, mas ao mesmo tempo priorizar o bem-estar de seus animais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu entendo os tutores, porque tamb\u00e9m tenho pets e sou alucinada por eles. Perdi minha cadela h\u00e1 tr\u00eas meses e tive medo de como reagiria. A dor foi imensa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tecnologia de ponta \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da transforma\u00e7\u00e3o afetiva na rela\u00e7\u00e3o entre humanos e seus animais, os avan\u00e7os na medicina veterin\u00e1ria e o crescimento da ind\u00fastria de cuidados intensivos tamb\u00e9m contribuem para tornar os limites entre tratamento e prolongamento artificial da vida cada vez mais difusos, dizem os especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma cl\u00ednica oncol\u00f3gica de uma \u00e1rea nobre na zona sul de S\u00e3o Paulo, por exemplo, oferece tratamentos tradicionais como cirurgia e quimioterapia, mas tamb\u00e9m procedimentos de ponta como a bi\u00f3psia transcir\u00fargica, uma t\u00e9cnica que permite realizar diagn\u00f3sticos sobre tecidos ou les\u00f5es cancer\u00edgenas ainda durante a cirurgia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esse recurso \u00e9 usado na medicina humana h\u00e1 mais de cem anos, mas passamos a oferecer para os animais aqui no Brasil h\u00e1 cerca de 15&#8221;, explica Marcelo Monte Mor, veterin\u00e1rio da cl\u00ednica e f\u00edsico especializado em t\u00e9cnicas de quimioterapia de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O centro veterin\u00e1rio na capital paulista tamb\u00e9m disponibiliza a eletroquimioterapia (ECT), que combina pulsos el\u00e9tricos com quimioterapia para aumentar a absor\u00e7\u00e3o de medicamentos pelas c\u00e9lulas cancer\u00edgenas, a terapia-alvo, focada em estruturas espec\u00edficas das c\u00e9lulas cancer\u00edgenas, e a quimioterapia metron\u00f4mica, que usa doses baixas de forma cont\u00ednua para evitar efeitos colaterais severos, al\u00e9m da imunoterapia.<\/p>\n\n\n\n<p>Monte Mor ressalta, por\u00e9m, que os tratamentos n\u00e3o devem ser aplicados em pacientes em que j\u00e1 se sabe que n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de melhora ou que perdem muita qualidade de vida diante dos procedimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nosso lema \u00e9: tempo de vida com qualidade. N\u00e3o adianta prolongar a vida a qualquer custo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O veterin\u00e1rio lembra que o custo dos tratamentos podem ser bastante altos tamb\u00e9m &#8211; e que boa parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode pagar. &#8220;Cada sess\u00e3o de quimioterapia pode custar entre R$ 500 e R$1.000, na m\u00e9dia&#8221;, diz. &#8220;Alguns pacientes precisam fazer uma sess\u00e3o por m\u00eas, mas outros toda semana.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, diz o veterin\u00e1rio, lidar com tutores que t\u00eam dificuldade de aceitar a perda de seu animal de estima\u00e7\u00e3o ou se recusam a aceitar a interrup\u00e7\u00e3o do tratamento faz parte do dia a dia de sua profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando um tutor procura um oncologista, muitas vezes j\u00e1 est\u00e1 preparado [para perder seu pet], o que torna a conversa sobre parar o tratamento ou optar pela eutan\u00e1sia mais f\u00e1cil&#8221;, diz. &#8220;Mas j\u00e1 passei por casos em que os tutores n\u00e3o aceitaram e preferiram que o pet morresse em casa, dormindo, por exemplo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-opt-id=2141096886  data-opt-src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/739e\/live\/09487cf0-3baa-11f0-91a0-abc9c23352d4.jpg.webp\"  decoding=\"async\" src=\"data:image/svg+xml,%3Csvg%20viewBox%3D%220%200%20100%%20100%%22%20width%3D%22100%%22%20height%3D%22100%%22%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%3E%3Crect%20width%3D%22100%%22%20height%3D%22100%%22%20fill%3D%22transparent%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E\" alt=\"Gato dormindo\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">No Brasil, 93% dos tutores dizem que seus pets s\u00e3o como membros da fam\u00edlia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Svenja Springer, professora da Universidade de Viena e especialista em \u00e9tica veterin\u00e1ria, ressalta a import\u00e2ncia dos avan\u00e7os em pesquisa e tecnologia, tanto para os direitos animais quanto para os donos de pets. Mas tamb\u00e9m destaca que \u00e9 importante saber quando parar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A veterin\u00e1ria \u00e9 uma ci\u00eancia aplicada como a medicina humana e, claro, h\u00e1 muito interesse em desenvolv\u00ea-la mais&#8221;, diz. &#8220;Mas a pergunta central hoje n\u00e3o \u00e9 mais &#8216;podemos fazer isso?&#8217;, mas &#8216;devemos fazer?'&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A linha \u00e9tica \u00e9 cruzada quando fica claro que os tratamentos n\u00e3o s\u00e3o mais pelo bem do animal, mas apenas para atender ao desejo do tutor&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Springer liderou um estudo ao lado de outros profissionais da \u00e1rea que entrevistou mais de 2 mil donos de cachorros e gatos no Reino Unido, \u00c1ustria e Dinamarca. Quase 60% dos tutores disseram querer o mesmo n\u00edvel de tratamento que existe na medicina humana para seus pets.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa ainda mostrou que, quanto maior o v\u00ednculo emocional com o animal de estima\u00e7\u00e3o, maior \u00e9 a disposi\u00e7\u00e3o do dono em aceitar tratamentos veterin\u00e1rios caros ou prolongados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Embora muitas vezes fa\u00e7amos paralelos entre a medicina humana e a veterin\u00e1ria, porque temos quase as mesmas ferramentas de diagn\u00f3stico e tratamentos m\u00e9dicos atualmente, s\u00e3o duas coisas distintas&#8221;, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A medicina humana lida com um paciente que pode expressar dor ou vontade. Na veterin\u00e1ria, tudo \u00e9 por procura\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8216;Eutan\u00e1sia pode ser o maior ato de amor&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda, entre a medicina humana e a veterin\u00e1ria, uma diferen\u00e7a importante na forma como os momentos finais de um paciente terminal s\u00e3o tratados.<\/p>\n\n\n\n<p>Na veterin\u00e1ria, a eutan\u00e1sia \u00e9 considerada um procedimento padr\u00e3o, al\u00e9m de ser amplamente aceita no mundo. J\u00e1 na medicina humana, a morte assistida \u00e9 permitida apenas em alguns pa\u00edses e sob condi\u00e7\u00f5es rigorosas.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o Conselho Federal de Medicina Veterin\u00e1ria (CFMV) prev\u00ea a eutan\u00e1sia animal em seu c\u00f3digo de \u00e9tica e considera o procedimento uma medida humanit\u00e1ria, indicada quando h\u00e1 sofrimento irrevers\u00edvel do animal, aus\u00eancia de possibilidade terap\u00eautica ou risco \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica,<\/p>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estabelece normas e princ\u00edpios b\u00e1sicos para a realiza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9todo mais utilizado e indicado para animais de pequeno porte atualmente envolve a administra\u00e7\u00e3o de medicamentos injet\u00e1veis. Primeiro, o animal \u00e9 completamente anestesiado, de forma que n\u00e3o sinta nada durante o procedimento. Posteriormente, o profissional qualificado aplica uma subst\u00e2ncia que causa a parada card\u00edaca.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A decis\u00e3o da eutan\u00e1sia pode ser o maior ato de amor, de desprendimento, que a pessoa pode fazer&#8221;, diz Ingrid Atayde, m\u00e9dica-veterin\u00e1ria, psic\u00f3loga e chefe do Setor de Comiss\u00f5es T\u00e9cnicas do CFMV.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sempre tento deixar claro para os tutores que tomar uma decis\u00e3o pela eutan\u00e1sia em casos em que \u00e9 necess\u00e1ria \u00e9 uma forma de pensar no bem-estar do animal.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Atayde afirma ainda que j\u00e1 h\u00e1 no pa\u00eds cl\u00ednicas e profissionais especializados em tratamentos paliativos, que tornam o fim da vida de um animal muito mais confort\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas \u00e9 preciso lembrar que tudo isso tem um custo e infelizmente ainda n\u00e3o temos um servi\u00e7o de sa\u00fade p\u00fablica animal&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a cearense Aline Fernandes de Oliveira, de 28 anos, a ideia de submeter qualquer um dos seus animais de estima\u00e7\u00e3o \u00e0 eutan\u00e1sia era &#8220;impens\u00e1vel&#8221;. Mas quando a cirurgi\u00e3 dentista viu sua cadela Katlyn, uma vira-lata resgatada da rua e que havia se tornado parte da fam\u00edlia, sofrendo os efeitos de um c\u00e2ncer agressivo no f\u00edgado, sua vis\u00e3o foi mudando aos poucos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Para mim, isso era uma coisa absurda. Nunca pensei em fazer. Mas quando a gente viu que ela estava sofrendo e que j\u00e1 n\u00e3o tinha mais qualidade de vida, a decis\u00e3o passou a fazer sentido&#8221;, conta \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-opt-id=244570135  data-opt-src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/3dd5\/live\/30010390-3ba9-11f0-a4e1-5166be523e29.jpg.webp\"  decoding=\"async\" src=\"data:image/svg+xml,%3Csvg%20viewBox%3D%220%200%20100%%20100%%22%20width%3D%22100%%22%20height%3D%22100%%22%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%3E%3Crect%20width%3D%22100%%22%20height%3D%22100%%22%20fill%3D%22transparent%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E\" alt=\"Aline com a cadela Katlyn no colo\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Katlyn viveu cerca de 4 a 5 anos com a fam\u00edlia at\u00e9 apresentar um incha\u00e7o repentino no abd\u00f4men. Exames revelaram um c\u00e2ncer no f\u00edgado, e Aline conta que n\u00e3o poupou esfor\u00e7os para tentar salv\u00e1-la<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Aline estima que o gasto somou mais de R$ 35 mil com cirurgias, interna\u00e7\u00f5es, medicamentos e quimioterapia. Mas mesmo com todos os cuidados, o quadro de Katlyn se tornou irrevers\u00edvel. A dor aumentava apesar dos rem\u00e9dios, incluindo morfina.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ela s\u00f3 ficava quietinha no canto. Um dia acordamos e ela estava toda durinha, com o olhar arregalado. Demos a medica\u00e7\u00e3o mais forte e nada adiantou&#8221;, conta a cearense moradora de Fortaleza.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a decis\u00e3o de realizar a eutan\u00e1sia foi tomada em conjunto com a m\u00e3e, o irm\u00e3o e os veterin\u00e1rios. &#8220;Foi por amor que a gente manteve ela com a gente. E foi pelo mesmo amor que decidimos deix\u00e1-la ir.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impacto nos veterin\u00e1rios<\/h2>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o s\u00e3o apenas os tutores que sofrem com tudo que envolve a decis\u00e3o sobre a eutan\u00e1sia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cada vez mais veterin\u00e1rios t\u00eam relatado enfrentar dilemas \u00e9ticos e emocionais quando tutores optam por prolongar o sofrimento de seus animais de estima\u00e7\u00e3o, recusando a eutan\u00e1sia mesmo diante de quadros irrevers\u00edveis, dizem pesquisadores da \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Em momentos em que o paciente est\u00e1 sofrendo e os tutores n\u00e3o aceitam parar o tratamento ou optar pela eutan\u00e1sia, &#8220;sinto que sou eu que n\u00e3o estou conseguindo convencer a fam\u00edlia de que aquilo n\u00e3o \u00e9 o melhor para o pet&#8221;, afirma o veterin\u00e1rio Marcelo Monte Mor.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;S\u00e3o momentos muito dif\u00edceis. Eu me lembro especificamente de um paciente que, antes de adoecer, pesava 23 kg, mas no final da vida estava com 9 kg. J\u00e1 havia passado muito do ponto em que recomendamos parar\u2026&#8221;, diz. &#8220;O paciente j\u00e1 era praticamente um cad\u00e1ver&#8221;, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um estudo qualitativo conduzido com 20 profissionais da \u00e1rea em diferentes pa\u00edses, a professora Svenja Springer, da Universidade de Viena, ouviu que, na maioria dos casos, ver um paciente falecer ap\u00f3s uma eutan\u00e1sia n\u00e3o gera mais sofrimento ou dilemas para os veterin\u00e1rios do que uma morte natural.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os conflitos reais aparecem quando \u00e9 preciso convencer o dono da necessidade do procedimento ou quando eles optam pelo tratamento excessivo&#8221;, diz Springer.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Veterin\u00e1rios enfrentam um duplo fardo: cuidar do animal e do tutor. \u00c9 emocionalmente desgastante. Por isso, hoje estudamos estrat\u00e9gias de limites e resili\u00eancia emocional para profissionais da \u00e1rea.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como saber a hora de parar?<\/h2>\n\n\n\n<p>A veterin\u00e1ria e psic\u00f3loga Ingrid Atayde, do CFMV, compartilhou com a BBC News Brasil algumas orienta\u00e7\u00f5es que podem ajudar tutores a saber que chegou a hora de considerar a eutan\u00e1sia, pensando no bem-estar do pet.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a profissional, vale a pena observar se seu bicho de estima\u00e7\u00e3o est\u00e1 tendo uma vida digna com aquilo que voc\u00ea pode prover.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto \u00e9, al\u00e9m de acesso a cuidados b\u00e1sicos como abrigo, \u00e1gua e alimentos, seu pet vive livre de dor e sofrimento? Ainda tem a oportunidade de expressar seus comportamentos naturais, como brincar, explorar e interagir com outros animais e com humanos? Vive livre de medo e estresse?<\/p>\n\n\n\n<p>Se a resposta para uma ou mais dessas perguntas for n\u00e3o, pode ser que o animal esteja perdendo qualidade de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Choro constante, tremores, dificuldade de locomo\u00e7\u00e3o, ficar deitado sem reagir, olhar fixo e arregalado, feridas por dec\u00fabito (ficar deitado por muito tempo) \u2014 s\u00e3o sinais de que o sofrimento j\u00e1 ultrapassou os limites&#8221;, exemplifica Atayde.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Temos tecnologias e medicamentos para dar conforto e aliviar dor. Mas se nem isso est\u00e1 mais funcionando, \u00e9 hora de avaliar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A chefe do Setor de Comiss\u00f5es T\u00e9cnicas do CFMV tamb\u00e9m recomenda ficar atento a mudan\u00e7as nos comportamentos habituais do pet. &#8220;O que faz o seu cachorro ser quem ele \u00e9? Alguns s\u00f3 precisam estar perto da fam\u00edlia. Outros precisam correr, brincar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela lembra ainda que os animais vivem &#8220;o aqui e agora&#8221;. Ou seja, o desconforto ou a dor do presente s\u00e3o muito mais latentes em um cachorro ou um gato do que a expectativa pelos eventos futuros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-opt-id=1880186389  data-opt-src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/9b72\/live\/309b0430-3baa-11f0-ab2d-a33f931f78dd.jpg.webp\"  decoding=\"async\" src=\"data:image/svg+xml,%3Csvg%20viewBox%3D%220%200%20100%%20100%%22%20width%3D%22100%%22%20height%3D%22100%%22%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%3E%3Crect%20width%3D%22100%%22%20height%3D%22100%%22%20fill%3D%22transparent%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E\" alt=\"Cachorro deitado recebendo rem\u00e9dio na veia\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">&#8216;O papel do veterin\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 convencer a fazer ou n\u00e3o a eutan\u00e1sia, mas apresentar as op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas&#8217;, diz Atayde<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Atayde afirma, por\u00e9m, que toda decis\u00e3o deve ser tomada em conjunto com um m\u00e9dico veterin\u00e1rio de confian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O papel do veterin\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 convencer a fazer ou n\u00e3o a eutan\u00e1sia, mas apresentar as op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas&#8221;, diz. &#8220;E a decis\u00e3o \u00e9 caso a caso. \u00c9 preciso dar espa\u00e7o para que a pessoa fale, sem julgamento.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas tamb\u00e9m sugerem a\u00e7\u00f5es simples que podem atenuar o sofrimento dos tutores e dos pets antes da eutan\u00e1sia, como dar ao animal o seu melhor \u00faltimo dia \u2013 ou dias \u2013, estar ao lado do bicho de estima\u00e7\u00e3o no momento da inje\u00e7\u00e3o final ou pedir ao veterin\u00e1rio para realizar o procedimento em casa, onde todos tendem a sentir menos ansiedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, Atayde tamb\u00e9m aconselha que donos que estejam sofrendo com essa decis\u00e3o ou com o falecimento de um animal de estima\u00e7\u00e3o procurem ajuda psicol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>31 maio 2025 Quimioterapia, hemodi\u00e1lise, cirurgias card\u00edacas, fisioterapia, acupuntura, dietas formuladas sob medida \u2014 o universo dos cuidados veterin\u00e1rios n\u00e3o 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