Próxima parada do Projeto Rota 22 será na região Seridó. Na terça-feira (27), às 14h, na Câmara Municipal de Loagoa Nova, tem nova rodada de oficinas; e na quarta-feira (28), às 14h, o Rota 22 chega à cidade de Acari, no Centro Pastoral Cônego Deoclides de Brito Diniz.
“Nas oficinas reunimos líderes locais comprometidos, que participaram ativamente das discussões e contribuem de forma significativa para o avanço dos nossos trabalhos. Diálogo, colaboração e construção coletiva seguem sendo pilares da nossa jornada”, explica Raquel Viana, coordenadora do PL Mulher, que conduzindo as discussões temáticas do Rota 22.
Em parceria com o Instituto Álvaro Valle e sob a liderança do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Rogério Marinho, o Rota 22 promove oficinas e seminários com o objetivo de identificar demandas locais e fortalecer o compromisso do partido com a melhoria da qualidade de vida da população.
Fique conectado com o Rota 22 — acesse o site plrota22.com.br e confira quando o projeto passará por sua região. Mais informações também estão disponíveis nas redes sociais, pelos perfis @pl22rn e @plnacional22, e no canal de WhatsApp do Rota 22 no Rio Grande do Norte: canal.plrota22.com.br.
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A Câmara Municipal de Natal realizou, nesta quinta-feira (22), uma sessão solene em homenagem à Expoeduc, o maior congresso educacional do Norte-Nordeste. Proposta pelo vereador Cláudio Custódio (PP), professor e presidente da Comissão de Educação da Casa.
A solenidade reuniu educadores, representantes institucionais e autoridades ligadas à organização da Expoeduc, que neste ano chegará à sua sexta edição, com expectativa de receber sete mil pessoas por dia.
Durante a sessão solene, foram homenageadas personalidades e instituições que apoiam o evento, como o Sebrae, o Banco do Nordeste, a Fecomércio, a Unimed Natal, além das secretarias municipal e estadual de Educação.
O secretário municipal de Educação, Aldo Fernandes, destacou o impacto do congresso na formação de professores e no desenvolvimento da cidade: “Receber essa homenagem neste evento tão pujante nos honra. A Expoeduc fomenta a economia da cidade e promove uma educação mais inclusiva e qualificada”, afirmou.
Já a vice-prefeita Joana Guerra ressaltou o investimento do município em iniciativas que valorizam os professores: “Hoje entregamos livros de Português e Matemática, em parceria com o Instituto Ayrton Senna, que visam combater a evasão escolar e reduzir a distorção série-idade. São ações que fazem a diferença para termos alunos qualificados e professores valorizados”, contou.
Para Crislan Viana, idealizador e CEO da Expoeduc, a homenagem foi um momento de emoção e reconhecimento: “Trabalhar pela educação não é fácil. Muitas vezes, é desacreditado. Mas ver esse projeto, que começou como um rascunho no caderno, hoje ser reconhecido pela Câmara Municipal de Natal e por todo o país, é uma alegria imensa. A Expoeduc é potiguar, é da nossa terra”, comemorou.
O diretor da ExpoEduc, Bruno Félix, também reforçou a importância do congresso: “A ExpoEduc transforma vidas. Quando um professor se capacita, ele impacta dezenas de alunos. O evento é construído com responsabilidade e temático com base em estudos de conteúdo. E o retorno que temos dos educadores mostra que estamos no caminho certo”, assegurou.
Para a diretora do Colégio Eficaz, há 35 anos funcionando no Bom Pastor, Maria Dantas de Almeida Neta, a Expoeduc representa um momento aguardado com entusiasmo por toda a equipe pedagógica. “Levo todos os meus 60 professores, da Educação Infantil ao Ensino Fundamental. É um clima maravilhoso na escola. Eles se preparam como se fosse uma grande festa”, comentou.
O vereador Cláudio Custódio, proponente da homenagem, destacou a relevância do evento tanto para o desenvolvimento da educação quanto para a autoestima da categoria docente: “A comunidade de professores vive em festa no período da Expoeduc. Ao assumir o mandato, foi natural prestar essa justa homenagem. Natal hoje é referência nacional em formação de professores, e o evento é a ponta de lança na mudança do cenário educacional da nossa cidade”, disse.
Também participaram da solenidade os vereadores Daniel Rendall, Irapoã Nóbrega e Klebe Fernandes, todos do Republicanos, e a reitora da Unifacex, Candysse Medeiros de Figueiredo.
Criada em 2017 pelo empresário Crislan Viana, a Expoeduc consolidou-se como uma das maiores iniciativas de formação de professores do país, atraindo educadores de todo o Brasil.
A edição 2025 será de 24 a 26 de julho, no Centro de Convenções de Natal e traz o tema “On ou Off: de que lado a escola deve estar?”, discutindo os impactos das tecnologias digitais na educação.
A ExpoEduc 2025 deverá reunir gestores, professores, educadores e especialistas em uma programação intensa de palestras, painéis e atividades formativas. A entrada é gratuita para professores da rede pública, mediante inscrição prévia.
Durante participação no seminário do projeto Rota 22, realizado neste sábado (24) no município de João Câmara, na região do Mato Grande, no Rio Grande do Norte, o senador Rogério Marinho (PL-RN) fez duras críticas à gestão do governo federal e também apontou problemas na administração estadual. Em seu discurso, Marinho destacou o que considera serem ações populistas do governo Lula, que segundo ele mascaram a desorganização da máquina pública e favorecem esquemas de corrupção.
“Eles dizem: nós estamos assaltando o Brasil, nós estamos dilapidando o patrimônio da população brasileira, nós estamos implementando ações populistas para resgatar a credibilidade do demiurgo que está sitiado no Palácio do Planalto”, afirmou o senador, numa fala marcada por tom crítico e retórico forte.
Marinho comparou a atual gestão com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, ressaltando que, mesmo em meio à pandemia, Bolsonaro teria mantido o compromisso com a responsabilidade fiscal e a estabilidade da economia nacional.
“Nós tivemos um presidente que comprou insumos, vacinas, que proporcionou ao povo brasileiro a condição de sair mais forte ainda da crise aqui e no mundo inteiro. O processo de retomada nos deu uma posição peculiar. Pela primeira vez, para o brasileiro, nós não só crescemos mais do que a China, mas tivemos uma inflação menor do que a Europa e os Estados Unidos”, declarou.
O senador também chamou atenção para o que considera um retrocesso na saúde financeira das estatais e dos fundos de pensão durante o atual governo, fazendo um contraponto com os resultados obtidos durante o período bolsonarista.
“Nós tínhamos estatais que davam lucro, hoje dão prejuízo. Nós tínhamos fundos de pensão que tinham superávit, e hoje estão imersos em situações vexatórias que vitimam principalmente os seus beneficiários”, concluiu.
O australiano Matthew Radalj ficou preso durante cinco anos em um centro de detenção de Pequim
Stephen McDonell
Correspondente na China
Reporting from Pequim
Compartilhar uma cela suja com cerca de 10 pessoas, sofrer privação constante de sono, conviver com as luzes acesas 24 horas por dia, más condições de higiene e trabalho forçado.
Essas são algumas das coisas enfrentadas pelos presos nas cadeias chinesas, segundo o australiano Matthew Radalj, que passou cinco anos na Prisão Número 2 de Pequim, uma instalação utilizada para detentos estrangeiros.
Radalj, que hoje vive fora da China, decidiu tornar pública sua história e contou ter sofrido e presenciado castigos físicos severos, trabalho forçado, privação de alimentos e tortura psicológica.
A BBC conseguiu confirmar o relato dele com vários ex-presos que estiveram no local na mesma época que Radalj.
Muitos pediram anonimato por medo de represálias contra familiares que ainda moram na China. Outros disseram que só queriam esquecer a experiência e seguir em frente.
O governo chinês não respondeu à solicitação da BBC para comentar o caso.
Uma chegada dura
“Estava em péssimas condições quando cheguei. Na primeira delegacia em que estive, apanhei por dois dias seguidos. Fiquei 48 horas sem dormir, comer e beber água, e depois me obrigaram a assinar uma pilha de documentos”, contou Radalj sobre sua chegada ao sistema penitenciário chinês no dia 2 de janeiro de 2020, quando ele foi detido.
Ex-morador de Pequim, ele diz ter sido condenado injustamente depois de uma briga com atendentes de um mercado de eletrônicos, por causa de uma discussão sobre o preço combinado para consertar a tela de um celular.
Radalj conta que acabou assinando uma confissão falsa de roubo, depois que lhe disseram que seria inútil tentar provar sua inocência em um sistema com uma taxa de condenações penais de quase 100%. Sua esperança era de que assumir a culpa pudesse reduzir seu tempo de prisão.
Os documentos judiciais mostram que isso funcionou até certo ponto, já que ele recebeu uma sentença de quatro anos.
Mas, uma vez na prisão, teve que passar vários meses em um centro de detenção separado, onde foi submetido a “uma fase de transição” ainda mais brutal.
Radalj estava vivendo há alguns anos em Pequim quando foi preso, em janeiro de 2020
Durante esse tempo, os prisioneiros têm que seguir regras extremamente duras, em condições horríveis.
“Era proibido tomar banho ou fazer higiene pessoal, às vezes durante meses seguidos. Inclusive, só se podia usar o vaso sanitário em horários específicos, e eles eram nojentos! Os dejetos dos vasos do andar de cima pingavam sobre nós.”
Eventualmente, ele foi transferido para uma prisão “normal”, onde os detentos tinham que dormir juntos em celas superlotadas, com as luzes sempre acesas. Também comiam no mesmo espaço, segundo ele.
Radalj conta que os prisioneiros africanos e paquistaneses formavam o maior grupo na prisão, mas também havia detentos do Afeganistão, Reino Unido, Estados Unidos, América Latina, Coreia do Norte e Taiwan. A maioria deles havia sido condenada por atuar como mula no tráfico de drogas.
Pontos por bom comportamento
Segundo Radalj, os presos eram submetidos regularmente ao que ele descreveu como tortura psicológica.
Uma delas era o “sistema de pontos por bom comportamento”, uma forma, ao menos em teoria, de reduzir a pena.
Os detentos podiam ganhar no máximo 100 pontos por mês por bom comportamento, realizando tarefas como estudar a literatura do Partido Comunista, trabalhar na fábrica da prisão e delatar os outros prisioneiros.
Quando acumulavam 4.200, poderiam, em tese, usar para reduzir o tempo na prisão.
Se fizermos as contas, isso significa que um prisioneiro teria que atingir a pontuação máxima todos os meses durante três anos e meio para ser premiado.
Contudo, Radalj afirma que esse sistema era usado como um meio de tortura e manipulação psicológica.
Segundo ele, os guardas esperavam até que um detento estivesse prestes a alcançar a meta para penalizá-lo por qualquer infração, o que fazia com que o preso perdesse seus pontos em um momento decisivo.
Essas infrações incluíam — mas não se limitavam a — guardar ou dividir comida com outros prisioneiros, sair da linha pintada no chão ao caminhar pelo corredor, pendurar meias na cama de forma “incorreta”, ou até ficar em pé muito perto da janela.
As portas da Prisão Número 2 de Pequim, em uma imagem de 2012
Outros ex-detentos que falaram com a BBC sobre o sistema de pontos descreveram o instrumento como um jogo mental desenhado para destruir a moral.
O britânico Peter Humphrey, que passou dois anos detido em Xangai, disse que a prisão onde cumpriu sua pena tinha um sistema similar de cálculo e redução de pontos, e que era manipulado para controlar os presos e impedir as reduções de pena.
“Tinha câmeras por toda a parte, até três por cela”, disse.
“Se você cruzasse uma linha marcada no chão e fosse flagrado por um guarda por uma câmera, era punido. O mesmo acontecia com quem não arrumasse a cama segundo o padrão militar, ou colocasse as escovas de dentes no lugar errado da cela”, acrescenta.
“Havia também pressão de grupos sobre os prisioneiros. Celas inteiras eram punidas se um único detento cometesse alguma dessas infrações.”
Um ex-detento contou à BBC que em seus cinco anos na prisão nunca viu os pontos servirem para que um preso reduzisse sua condenação.
Radalj disse que ele e outros internos sequer se davam ao trabalho de participar do sistema de pontos. Com isso, as autoridades recorriam a outros meios de pressão psicológica, entre elas cortar o tempo das ligações telefônicas mensais com a família.
Controle de comida
Mas a punição mais comum era a redução da alimentação.
Vários ex-detentos contaram à BBC que as refeições na Prisão Número 2 de Pequim consistiam principalmente em repolho cozido em água suja, às vezes com pedaços de cenoura e, com muita sorte, pequenas lascas de carne.
Também lhes davam mantou, um pão típico do norte da China. Segundo Radalj, a maioria dos presos ficava desnutrida.
Outro ex-detento relatou como a fome levava muitos presos a comer grandes quantidades de mantou. As dietas eram tão pobres em nutrição e o tempo de exercício era tão limitado — somente meia hora por semana — que muitos emagreciam bastante na parte superior do corpo, mas ficavam com os estômagos inchados por consumirem tanto mantou.
Os presos podiam complementar sua dieta comprando pequenas porções extras, caso seus familiares tivessem depositado dinheiro no que chamavam de “contas”, uma espécie de registro penitenciário de fundos destinados à compra de itens básicos, como sabão, creme dental, macarrão instantâneo, ou leite de soja em pó.
Mas até mesmo esse “privilégio” poderia ser tirado deles.
Radalj, por exemplo, conta que lhe impediram de fazer compras adicionais durante 14 meses porque se negou a trabalhar na fábrica da prisão, onde os detentos montavam produtos básicos para empresas ou juntavam folhetos de propaganda para o governo do Partido Comunista.
Em 2012, a imprensa teve acesso à Prisão Número 1 de Pequim
Para piorar ainda mais a situação, eles eram obrigados a trabalhar em uma fazenda, onde conseguiam cultivar muitos vegetais, mas nunca tinham permissão para comê-los.
Radalj contou que, uma vez, a fazenda foi mostrada a um ministro da Justiça que foi visitar a prisão, como um exemplo das supostas vantagens da vida carcerária. Mas, segundo ele, tudo era uma farsa.
“Plantávamos tomates, batatas, repolhos e quiabo e, no final da temporada, jogavam tudo em um buraco enorme e enterravam”, lembrou.
“E se te pegassem com uma pimenta ou um pepino, você ia diretamente para a solitária por oito meses.”
Outro ex-detento relatou que, ocasionalmente, recebiam um pouco de proteína, principalmente quando autoridades visitam a prisão. Eles lhes davam alimentos como uma coxa de frango, para que a dieta parecesse melhor.
Humphrey contou que havia restrições alimentares semelhantes na prisão onde esteve, em Xangai, e que isso gerava brigas entre os presos. “A cozinha era administrada pelos detentos. Os que trabalhavam lá pegavam o melhor, e o resto era distribuído.”
Radalj foi solto em outubro de 2024 e pôde encontrar o pai e o resto da família
Radalj lembra de uma briga entre grupos africanos e taiwaneses na Prisão Número 2 de Pequim por causa disso.
Os detentos nigerianos trabalhavam na cozinha e “tinham pequenos benefícios, como uma sacola de maçã uma vez por mês, um pouco de iogurte e algumas bananas”, contou.
Então, os detentos taiwaneses, que falava mandarim, convenceram os guardas a deixá-los assumir o controle da cozinha, tendo acesso a alimentos extras.
Isso levou a uma briga generalizada, e Radalj acabou preso no meio da confusão. Ele foi mandado para a solitária durante 194 dias por agredir outro detento.
Outra característica na vida carcerária na China, segundo Radalj, eram os momentos de “propaganda” que os funcionários dos presídios organizavam para a imprensa chinesa ou autoridades que visitavam o local.
Nessas ocasiões, encenavam situações para mostrar uma imagem mais bonita da vida na prisão.
Ele contou que, certa vez, montaram uma “sala de computadores”.
“Nos reuniram e disseram que teríamos o nosso próprio endereço de e-mail e poderíamos enviar mensagens. Depois filmaram três nigerianos usando os computadores.”
Segundo Radalj, os três pareciam confusos, porque os computadores não estavam realmente conectados à internet, mas os guardas mandaram que eles fingissem.
“Tudo foi filmado para passar uma imagem falsa dos presos com acesso a computadores”, disse.
Pouco depois da sessão de fotos, os funcionários cobriram os computadores e os presos nunca mais usaram a sala.
A experiência na solitária
Na solitária, as luzes ficavam apagadas, e Radalj percebeu que ficaria quase o tempo todo no escuro, o que lhe gerou um problema sensorial, já que na cela, as luzes sempre ficavam acesas.
A porção de comida, que já era pequena, foi reduzida pela metade. Não havia material de leitura e ninguém com quem conversar durante os seis meses que passou confinado em uma sala vazia de 1,2 metros por 1,8 metros.
“Você começa a enlouquecer, queira ou não, e é exatamente para isso que o isolamento é feito”, afirma.
“Depois de quatro meses, você começa a conversar com você mesmo o tempo todo. Os guardas perguntavam: ‘Ei, você está bem?’ E eu respondia: ‘Por quê?’. Eles diziam: ‘Porque você está rindo’.”
Radalj lembra que costumava responder mentalmente: “Não é da sua conta”.
Diário secreto
Durante grande parte da sua experiência na cadeia, Radalj escreveu um diário secreto dentro das máscaras de proteção contra a covid-19.
A notícia de que o australiano planejava tentar tirar da prisão suas anotações se espalhou, e alguns presos lhe passaram informações pessoais para que ele pudesse entrar em contato com suas famílias.
“Entre 60 e 70 pessoas esperavam que eu pudesse falar com seus familiares depois que saísse, para contar o que estava acontecendo.”
Segundo Radalj, muitos presos não tinham como avisar suas famílias que estavam na cadeia.
Alguns não ligavam para seus familiares porque não havia dinheiro depositado em suas contas para chamadas telefônicas. Outros não podiam porque suas embaixadas não haviam registrado os números de telefone da família no sistema da prisão, e só era possível ligar para números que fossem oficialmente aprovados.
Radalj escreveu um diário secreto no período em que esteve preso
Um dia, Radalj enrolou os pedaços da máscara com suas “memórias” o mais apertado que conseguiu, usando fita adesiva que havia guardado da fábrica, e tentou engolir o embrulho — do tamanho de um ovo — sem que os guardas percebessem.
Mas não conseguiu aguentar.
Pelas câmeras, os guardas viram que algo de errado estava acontecendo e começaram a perguntar: “Por que você está vomitando? Por que continua engasgando? O que está acontecendo?”
Ele desistiu de engolir o embrulho e o escondeu.
Em 5 de outubro de 2024, quando estava prestes a sair da cadeia, Radalj recebeu a roupa que havia sido confiscada no dia em que ele foi detido. Ele aproveitou um buraco no forro da jaqueta para colocar as memórias dentro, antes que um guarda pudesse vê-lo.
Radalj acredita que alguém contou aos oficiais da prisão sobre seu plano, porque sua cela foi revistada e o interrogaram antes de sair.
“Esqueceu alguma coisa?”, perguntaram os guardas.
“Destruíram todos os meus pertences. Eu estava pensando que iam me levar de volta para a solitária e apresentar novas acusações.”
Mas os guardas nunca souberam onde o diário secreto estava escondido. “Me disseram: ‘Cai fora daqui!’. E só quando eu já estava no avião, depois da decolagem, é que coloquei a mão no forro da jaqueta para verificar. E as anotações estavam ali.”
A vida em liberdade
Um pouco antes de embarcar no avião em Pequim, um policial que havia escoltado Radalj até a porta de embarque usou o cartão de embarque dele para comprar cigarros livres de impostos para seus amigos.
“Ele me disse para eu não voltar à China, porque eu estava banido por 10 anos. Eu respondi: ‘Sim, ótimo. Não fume, faz mal para a sua saúde’. Ele riu.”
Ao chegar de volta à Austrália, Radalj abraçou seu pai no aeroporto de Perth. As lágrimas escorriam.
Pouco tempo depois, se casou com a sua namorada de longa data. Hoje, eles passam os dias fazendo velas e outros produtos.
Radalj se casou com sua namorada de longa data
Radalj diz que ainda está com raiva por tudo que viveu e que há um longo caminho para se recuperar completamente.
Mas está trabalhando na lista de contatos dos seus antigos amigos detentos. “Tenho passado a maior parte dos últimos seis meses entrando em contato com as famílias, pressionando as embaixadas para que tentem fazer um trabalho melhor e os ajudem durante esse período na prisão.”
Segundo ele, alguns dos presos não falam com suas famílias há quase uma década. E ajudá-los também tem facilitado a sua própria transição de volta à vida antiga.
“Com a liberdade vem um grande sentimento de gratidão”, disse Radalj. “Tenho um apreço maior pelas coisas mais simples da vida. Mas também carrego um profundo senso de responsabilidade pelas pessoas que deixei para trás na prisão.”
Se projeto de lei for aprovado, pagar por serviços sexuais passará a ser crime na Escócia
David Wallace Lockhart
Correspondente na Escócia, BBC News
Quando tinha 17 anos de idade, Alice (nome fictício) foi demitida de seu emprego em uma central de atendimento telefônico.
Em casa, o ambiente era difícil. Ela não tinha um currículo e suas opções de emprego eram poucas.
Uma amiga havia se envolvido em trabalho sexuale ganhava “muito dinheiro”. Por isso, Alice decidiu trilhar um caminho parecido.
Agora na casa dos 30 anos, ela ainda está trabalhando com isso, apesar de dividir essa rotina com outras oportunidades de emprego.
Mas Alice acredita que uma possível mudança na legislação da Escócia pode deixá-la “terrivelmente” insegura.
A parlamentar escocesa Ash Regan está apresentando um projeto de lei para criminalizar o pagamento por serviços sexuais. A proposta segue o chamado “modelo nórdico”.
Regan é ex-candidata à liderança do Partido Nacional Escocês. Ela defende que confrontar a demanda dos homens pela prostituição ajudará a proteger as mulheres.
Para a parlamentar, “comprar acesso sexual de um ser humano é uma forma de violência masculina”. Por isso, ela está determinada a fazer com que a lei seja alterada.
Atualmente, o pagamento por sexo não é ilegal na Escócia. Mas algumas atividades correlacionadas são, como administrar bordéis, circular em locais públicos para comprar ou vender sexo ou convencer alguém a praticar a prostituição.
Também no Brasil, não é ilegal se prostituir de forma autônoma ou pagar por sexo, quando este envolve maiores de idade. Inclusive, a prostituição é reconhecida pelo Ministério do Trabalho como uma ocupação profisisonal. Entretanto, é crime explorar o trabalho sexual de terceiros (cafetinagem) ou promover essa atividade de forma organizada — em bordéis, por exemplo.
Regan deseja que as mulheres que se prostituem na Escócia recebam “alternativas de saída” e o direito legal à assistência. Além disso, ela propõe a revogação de eventuais condenações anteriores por atos relacionados à prostituição.
Mas suas propostas dividem as pessoas que desejam garantir a segurança das profissionais do sexo.
Alice explica que a internet mudou o cenário do que ela chama de “profissionais do sexo em serviço integral” (que trocam sexo por dinheiro).
Ela conta que, agora, as pessoas que vendem sexo têm mais oportunidades de “selecionar” possíveis clientes.
Elas podem pedir para ver fotos da cédula de identidade de um cliente antes de se encontrar com ele, links para suas redes sociais ou até solicitar referências de outras profissionais do sexo.
Este processo não é 100% seguro, mas pode ajudar a verificar se as pessoas realmente são quem elas afirmam ser.
O receio dos opositores do projeto é que sua aprovação aumente a insegurança entre as profissionais do sexo na Escócia
Alice está preocupada com a possível mudança das leis escocesas, especialmente por questões ligadas a segurança.
Ela defende que “existe uma diferença entre bons e maus clientes”. E teme que, se a compra de sexo passar a ser crime, os “bons clientes” irão desaparecer.
“Você irá ficar apenas com as pessoas que não se preocupam com você, já que não se preocupam em desrespeitar a lei”, afirma.
“Imagino que uma pessoa que infringe a lei provavelmente é perigosa.”
Ela receia que a mudança na legislação possa dificultar a seleção dos clientes. Afinal, alguém que está disposto a comprar sexo ilegalmente provavelmente não irá fornecer seus detalhes pessoais.
Alice desabafa que todos estes fatores combinados farão com que, se a proposta de Ash Regan for aprovada, ela se sinta “terrivelmente” menos segura.
“Meu corpo se tornaria uma cena de crime, certo? Por que eu iria para a polícia? Não procuro a polícia nem mesmo agora”, explica ela.
Alice acredita que aumentar a descriminalização é o que de fato faria com que ela se sentisse mais segura. Esta medida propiciaria maior proteção e permitiria um melhor relacionamento entre ela e a polícia.
Mas a proposta de Regan é oferecer uma saída do trabalho sexual para pessoas como Alice. Será que esta perspectiva a atrai?
Alice é cética a este respeito.
Para ela, a proposta parece trocar o trabalho sexual por um emprego com salário mínimo. Esta mudança, segundo ela, “realmente não altera os motivos por que as pessoas acabam preferindo trabalhos sexuais.”
Ash Regan não está disposta a tolerar o status quo. Ela defende que este é fundamentalmente “um sistema de exploração e violência” que afeta as mulheres mais vulneráveis da sociedade.
A parlamentar define seu projeto de lei como “abandono da prática fracassada de descriminalizar o comércio sexual, sem abordar a causa e as consequências da transformação dos seres humanos em mercadorias: a demanda”.
A forma mais eficaz de resolver a questão, segundo ela, é criminalizar as pessoas que pagam por sexo.
“Precisamos deslocar a balança da criminalidade em direção àqueles que perpetuam este sistema de desigualdade e violência, que são os compradores. E os compradores são, quase sempre, homens”, declarou Regan ao programa de rádio Good Morning Scotland, da BBC.
“Os dados demonstram que, se você implementar e executar esta lei, ela irá reduzir o mercado da prostituição, o que fará com que menos mulheres sejam prejudicadas.”
Debate polêmico
Para a parlamentar escocesa Ash Regan, comprar sexo é uma forma de violência masculina
Regan afirma que os dados de outros países europeus são “muito claros”.
Na Suécia, o modelo nórdico foi implementado 25 anos atrás. Nenhuma mulher que trabalha na prostituição foi morta no país, segundo ela.
A parlamentar comparou o caso sueco com a Alemanha, onde a descriminalização foi adotada em 2022. Regan afirma que esta medida levou à morte de 99 profissionais do sexo e à tentativa de assassinato de outras 60.
Ela prometeu “confrontar diretamente a injustiça da exploração sexual comercial”. Para isso, ela afirma que conta com o apoio de diversos grupos de mulheres.
Mas, entre profissionais do sexo que manifestam preocupação com a sua própria segurança, existe também uma campanha criada especificamente para combater suas propostas.
O debate sobre as leis relativas à venda de sexo é polêmico.
Algumas pessoas refutam a expressão “profissional do sexo”, incluindo Regan. E todos os envolvidos neste mundo terão sua própria história e circunstâncias pessoais.
É raro encontrar alguém disposto a conceder entrevista e falar com tanta franqueza, como fez Alice.
Mas ela não fala em nome de todos os profissionais do sexo da Escócia, e Regan conta com o apoio de outros indivíduos que se envolveram com trabalho sexual no passado.
Todas estas questões destacam como este debate pode se tornar sensível entre diferentes grupos que acreditam fortemente que sua postura é a correta.
No Reino Unido
Se o projeto de lei for aprovado, a Escócia não será o primeiro lugar do Reino Unido a criminalizar a compra de sexo.
Apesar do endurecimento da legislação, profissionais do sexo relataram aumento da demanda pelos seus serviços. A pesquisa também encontrou aumento da quantidade de anúncios online.
Os pesquisadores destacaram que as profissionais do sexo se sentiam “ainda mais marginalizadas e estigmatizadas”.
O relatório concluiu que as mudanças na legislação da Irlanda do Norte trouxeram “efeitos mínimos para a demanda por serviços sexuais”.
Existem pessoas, como Ash Regan, que acreditam que a reforma pode eliminar a demanda, aumentar a segurança das mulheres e fornecer oportunidades de emprego alternativas.
Mas este é um debate que, em última análise, pode não ter andamento no futuro próximo. Afinal, os projetos que não completarem sua tramitação até as próximas eleições escocesas, previstas para 2026, serão deixados de lado.
A oposição a este projeto de lei permanece. Os parlamentares, agora, precisarão analisar qual será sua posição sobre o tema, caso ainda não tenham uma opinião definida.
A reportagem do New York Times alimentou ‘uma tempestade midiática global’ sobre a tribo, dizem os autores da ação
Uma tribo indígena da Amazônia processou o jornal americano New York Times (NYT) por causa de uma reportagem sobre o acesso da comunidade à internet de alta velocidade, que a tribo alega ter levado seus membros a serem rotulados como viciados em pornografia.
A ação judicial por difamação afirma que a reportagem retratou a tribo Marubo como “incapaz de lidar com a exposição básica à internet”, e destacou “alegações de que seus jovens haviam sido consumidos pela pornografia”.
O processo também citou o TMZ e o Yahoo como réus, e disse que seus artigos “zombavam dos jovens” e “deturpavam suas tradições”.
O NYT declarou que sua reportagem não dizia que nenhum dos membros da tribo era viciado em pornografia. O TMZ e o Yahoo foram contatados para comentar.
Os Marubo, uma comunidade indígena com cerca de 2 mil pessoas, está pedindo pelo menos US$ 180 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) em indenização por danos.
A reportagem do NYT, escrita nove meses depois de os Marubo obterem acesso à Starlink, um serviço de internet via satélite da SpaceX, de Elon Musk, dizia que a tribo “já estava enfrentando os mesmos desafios que atormentam os lares americanos há anos”.
Isso incluía “adolescentes grudados em telefones”, “videogames violentos” e “menores vendo pornografia”, afirmava a reportagem.
O artigo dizia que um líder comunitário, que é crítico ferrenho da internet, estava “muito incomodado com a pornografia”, e havia sido informado sobre “comportamento sexual mais agressivo” por parte de jovens do sexo masculino.
A reportagem também destacou os benefícios percebidos da internet entre a tribo, incluindo a capacidade de alertar as autoridades sobre problemas de saúde e destruição ambiental, além de manter contato com familiares distantes.
A ação judicial alega que outros meios de comunicação repercutiram de forma sensacionalista a reportagem do NYT, incluindo uma manchete do TMZ que fazia referência ao vício em pornografia.
A reação levou o NYT a publicar uma reportagem complementar, cerca de uma semana após o artigo original, com o título: “Não, uma tribo remota da Amazônia não se viciou em pornografia”.
A reportagem dizia que “mais de 100 sites ao redor do mundo” haviam “publicado manchetes que afirmavam falsamente que os Marubo se tornaram viciados em pornografia”.
Mas o processo alega que o artigo original do NYT “retratou o povo Marubo como uma comunidade incapaz de lidar com a exposição básica à internet, destacando alegações de que seus jovens haviam sido consumidos pela pornografia”.
Os autores da ação, o líder da comunidade Enoque Marubo e a ativista brasileira Flora Dutra, que ajudou a distribuir as 20 antenas Starlink de US$ 15 mil para a tribo, afirmam que a reportagem do NYT ajudou a alimentar “uma tempestade midiática global”, de acordo com o Courthouse News Service.
Isso, segundo eles, os submeteu à “humilhação, assédio e danos irreparáveis à sua reputação e segurança”.
A reportagem do TMZ incluiu imagens em vídeo de Marubo e Dutra distribuindo as antenas, que, segundo eles, “deram a clara impressão de que [eles] haviam introduzido material nocivo e sexualmente explícito na comunidade e facilitaram a suposta decadência moral e social”.
Um porta-voz do New York Times afirmou: “Qualquer leitura justa deste artigo mostra uma exploração sensível e matizada dos benefícios e complicações da nova tecnologia em uma aldeia indígena remota com uma história de orgulho e cultura preservada”.
“Pretendemos nos defender vigorosamente contra a ação judicial.”
Durante participação no seminário do projeto Rota 22, realizado neste sábado (24) no município de João Câmara, na região do Mato Grande, no Rio Grande do Norte, o senador Rogério Marinho (PL-RN) fez duras críticas à gestão do governo federal e também apontou problemas na administração estadual. Em seu discurso, Marinho destacou o que considera serem ações populistas do governo Lula, que segundo ele mascaram a desorganização da máquina pública e favorecem esquemas de corrupção.
“Eles dizem: nós estamos assaltando o Brasil, nós estamos dilapidando o patrimônio da população brasileira, nós estamos implementando ações populistas para resgatar a credibilidade do demiurgo que está sitiado no Palácio do Planalto”, afirmou o senador, numa fala marcada por tom crítico e retórico forte.
Marinho comparou a atual gestão com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, ressaltando que, mesmo em meio à pandemia, Bolsonaro teria mantido o compromisso com a responsabilidade fiscal e a estabilidade da economia nacional.
“Nós tivemos um presidente que comprou insumos, vacinas, que proporcionou ao povo brasileiro a condição de sair mais forte ainda da crise aqui e no mundo inteiro. O processo de retomada nos deu uma posição peculiar. Pela primeira vez, para o brasileiro, nós não só crescemos mais do que a China, mas tivemos uma inflação menor do que a Europa e os Estados Unidos”, declarou.
O senador também chamou atenção para o que considera um retrocesso na saúde financeira das estatais e dos fundos de pensão durante o atual governo, fazendo um contraponto com os resultados obtidos durante o período bolsonarista.
“Nós tínhamos estatais que davam lucro, hoje dão prejuízo. Nós tínhamos fundos de pensão que tinham superávit, e hoje estão imersos em situações vexatórias que vitimam principalmente os seus beneficiários”, concluiu.