Análise: Defesa de Bolsonaro usa de sarcasmo e ironias em esclarecimentos

Termos como “peça política” e “irrealidade da narrativa” foram usados para classificar relatório da Polícia Federal

22/08/25 às 21:36 | Atualizado 22/08/25 às 21:58

Na defesa apresentada ao STF (Supremo Tribunal Federal), os advogados de Jair Bolsonaro (PL) usam termos em tom de sarcasmo, ironias e críticas para esclarecer o que foi pontuado pela Polícia Federal no relatório que resultou no indiciamento do ex-presidente e do filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Termos como “peça política” e “irrealidade da narrativa” foram usados para classificar o documento feito pelos investigadores.

A defesa também aponta que “causa espanto” o relatório, que teria sido baseado em um “disse-me-disse”.

Em um dos trechos, os advogados dizem que “leis são lançadas ao lixo”. Mais à frente é citado que o objetivo foi alcançado: “manchetes no Brasil e no exterior anunciando que o ex-presidente planejou uma fuga”.

Nos esclarecimentos, a defesa usa ainda a expressão “é bem mais do que um acinte” para se referir que o método adotado pela Polícia Federal se trata de uma forma intencional de agir.

Em outro ponto, em tom de ironia, os advogados dizem que “é necessário presumir que os investigadores sabem o que é o crime de lavagem, que determina origem ilícita e não se consubstancia com depósitos, via Pix, para familiares”. E completa: “o objetivo é o massacre”.

Veja os trechos:

  • “O Relatório da Polícia Federal causa espanto. Encaixa-se como uma peça política, com o objetivo de desmoralizar um ex-presidente da República (que, quer queiram as autoridades policiais ou não, ainda é um líder político), expondo sua vida privada e acusando-o de fatos tão graves quanto descabidos”.
  • “Parece incrível, mas boa parte do relatório dedica-se a um disse-me-disse sem qualquer relevância para a investigação”.
  • “O objetivo do inquérito é proteger o Estado Democrático, mas diversas leis são lançadas ao lixo”.
  • “Mas o objetivo, convenhamos, foi alcançado: manchetes no Brasil e no exterior anunciando que o ex-presidente planejou uma fuga. Nada mais falso, mas nada mais impactante, sobretudo a pouco mais de 10 dias do julgamento”.
  • “É bem mais do que um acinte. É um método”.
  • “É necessário presumir que os investigadores sabem o que é o crime de lavagem, que determina origem ilícita e não se consubstancia com depósitos, via Pix, para familiares. Então, o objetivo é o massacre”.
  • “A irrealidade da narrativa se mostra inaceitável, a começar pelo documento que a autoridade policial chama de ‘minuta de solicitação de asilo político’”.

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