Afinal, quem inventou o avião? A resposta provavelmente não é a que você pensou

1 junho 2025, 06:19 -03

Colagem com imagens dos irmãos Wright, Santos Dumont e o 14-bis
  • Camilla Veras Mota
  • Da BBC News Brasil em São Paulo

O brasileiro Alberto Santos Dumont fez o primeiro voo da história homologado pela Federação Aeronáutica Internacional.

Em 12 de novembro de 1906, em frente a uma multidão em Paris, ele cruzou o campo de Bagatelle a bordo do 14-bis, confirmando que uma máquina mais pesada que o ar era de fato capaz de voar.

A essa altura ele já era celebrado como pioneiro da aviação na Europa. Vivia cruzando Paris de balão, tinha ganhado um prêmio por ter voado com um dirigível em volta da torre Eiffel e estampado capa de jornal.

Nada mais natural, então, do que dizer que foi ele que inventou o avião, certo? Não é tão simples assim.

A polêmica já dura mais de um século: o Brasil considera Santos Dumont o pai da aviação, enquanto os Estados Unidos defendem — e espalham para o mundo — que o título é dos americanos Orville e Wilbur Wright, os irmãos Wright.

Quem tem razão? A BBC News Brasil fez essa pergunta para oito especialistas em aviação de quatro países, que explicaram os argumentos dos dois lados — e acabaram levando a reportagem a uma direção inesperada.

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A capital francesa não foi palco do voo do 14-bis por acaso. Paris naquela época era o centro pulsante da modernidade que ditava o ritmo do fim do século 19 e início do século 20.

Tinha boas escolas de engenharia e concentrava capital suficiente para financiar pesquisas em metalurgia, mecânica, física, química.

Com o desenvolvimento de novos tipos de material e de motores cada vez mais potentes, a sensação naquela época era de que seria questão de tempo até alguém conseguisse voar com uma máquina mais pesada que o ar, diz o historiador Jean-Pierre Blay.

Foi essa atmosfera que levou Santos Dumont a Paris em 1892. O brasileiro sempre foi fascinado por máquinas voadoras, e resolveu deixar o Brasil e cruzar o Atlântico depois de receber um adiantamento da herança pelo pai, que era filho de um joalheiro francês e havia feito fortuna em Minas Gerais plantando café.

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