Conta de Instagram foi criada com e-mail em nome de Cid

 

Informação foi passada pela Meta ao STF sobre perfil que teria sido usado por delator para conversar com advogado

23/06/25 às 18:59 | Atualizado 23/06/25 às 20:17

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Meta informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a conta “@gabrielar702” foi criada no Instagram com um e-mail em nome do tenente-coronel Mauro Cid. O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) teria utilizado este perfil para conversar com o advogado Eduardo Kuntz sobre o seu acordo de colaboração premiada.

O ministro Alexandre de Moraes retirou, nesta segunda-feira (23), o sigilo das repostas enviadas semana passada pela Meta e pelo Google.

De acordo com Meta, o perfil “@gabrielar702” utilizou o e-mail maurocid@gmail.com para validar a conta no Instagram, criada em 19 de janeiro de 2024. Já endereço eletrônico foi criado em 2005, segundo dados do Google.

Moraes determinou que as empresas de tecnologia fornecessem os dados da conta que, em tese, teria sido usado por Mauro Cid para trocar mensagens relacionadas ao processo que apura uma suposta trama golpista.

A Meta listou ainda uma série de IPs que foram usados para acessar a conta “@gabrielar702”entre 1º de maio de 2023 a 13 de junho de 2025, conforme delimitado por Moraes.

A determinação atendeu a um pedido da defesa de Mauro Cid, após reportagem da revista Veja dizer que Cid mentiu durante interrogatório no STF. Segundo a publicação, o tenente-coronel teria usado o perfil @gabrielar702 para comentar sobre o processo em que ele fechou acordo de delação premiada.

No interrogatório, questionado por Celso Vilardi, advogado Bolsonaro, o ex-ajudante de ordens respondeu que não tinha conversado com ninguém por rede social sobre a delação. E ainda afirmou que não reconhecia o perfil “@gabrielar702” como sendo de sua mulher.

Após a publicação da revista, a defesa de Mauro Cid negou a autoria das mensagens e disse que a reportagem apresenta “falsidade grotesca”. Os advogados do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro pediram ao relator que fosse aberta uma investigação sobre o perfil.

Na semana passada, o advogado Eduardo Kuntz, que representa o coronel da reserva Marcelo Câmara, informou ao STF que era o interlocutor das conversas atribuídas a Cid.

Após o episódio, Moraes determinou a prisão de Câmara por descumprir medidas cautelares. Ele era proibido de falar com outros investigados, mesmo que por intermédio de outras pessoas.

O ministro ainda determinou abertura de inquérito contra o advogado Eduardo Kuntz. Moraes observou que Kuntz teve “conversas realizadas pelo Instagram e por meio de contatos pessoais na Sociedade Hípica de Brasília” no período em que Câmara estava preso.

CNN tenta contato com a defesa de Cid para comentar o caso.

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