“A IGNORÂNCIA COMO FERRAMENTA DE ARBÍTRIO”

Por GODEIRO LINHARES

Quanto mais se enfraquece a educação, mais se fortalece o autoritarismo. Essa máxima não é apenas retórica: ela encontra eco em pensadores como Hannah Arendt, que alertava que o totalitarismo floresce justamente onde o pensamento crítico desaparece. Uma população mal educada não questiona, não se rebela, não exige: ela obedece.

Paulo Freire, patrono da educação brasileira, já dizia que “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. Isso porque uma educação meramente técnica, sem pensamento crítico, forma indivíduos domesticados — e não cidadãos. Forma servos do sistema, e não protagonistas da própria história.

É nesse contexto que devemos denunciar, com veemência, o que está acontecendo no Rio Grande do Norte, onde o sistema educacional passou a permitir que o estudante reprove em até seis disciplinas. Isso é um atentado contra o próprio conceito de excelência educacional. É dizer para o aluno: “não importa se você aprendeu ou não, você vai passar de qualquer jeito”. Isso não é inclusão — é abandono pedagógico.

Para que serve então o professor que se especializa, que se aperfeiçoa, que estuda metodologias, se o sistema educacional retira dele a autoridade de ensinar com exigência e qualidade? Para que serve o aluno estudar se a reprovação virou uma exceção quase impossível? Isso aniquila o mérito, banaliza o esforço, desacredita o saber.

Segundo Giovanni Sartori, em sua obra Homo Videns, a crise da democracia moderna está ligada à degradação cognitiva das massas — a substituição do pensamento pela imagem, da leitura pela distração, da reflexão pelo consumo rápido de informação. E os governos totalitários se aproveitam disso. É mais fácil dominar quem não lê, quem não escreve, quem não pensa.

É preciso dizer em alto e bom som: uma educação que não exige é uma educação que emburrece. E quanto mais ignorante o povo, mais fácil será manipulá-lo com migalhas, com narrativas populistas, com políticas de ilusão.

A história nos prova: regimes como o nazismo, o fascismo e o stalinismo foram precedidos pela destruição da educação livre, pela perseguição aos professores críticos, pela submissão da escola ao Estado. O caminho da barbárie sempre começa com o silêncio nas salas de aula.

Portanto, a verdadeira resistência começa com o resgate da educação de qualidade, exigente, libertadora e crítica. O Rio Grande do Norte — e o Brasil — não pode aceitar uma política educacional que transforma o fracasso em rotina e a mediocridade em norma.

@godeirolinhares

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